Falta pouco menos de um ano para as eleições de 2018, mas as “pré-campanhas” já foram iniciadas. É notório que alguns políticos dessas pré-campanhas não demonstram confiança no que dizem, e sem que possamos nos dar conta, fazemos um questionamento involuntário: Você acha que convence a quem, com sua comunicação?

É igual a Denorex?

Na década de 80, um comercial que ficou muito famoso no Brasil por usar um bordão bem divertido ao vender um remédio anti-caspas, que parecia shampoo…mas não era, caía no gosto dos brasileiros.

Esse mesmo bordão era usado para tudo, principalmente para explicar o que as vezes não sabia como explicar ou nem sabia se tinha explicação. Salvo que naquela época não existia Google para tirar todas nossas dúvidas. Enfim, o produto Denorex e seu jargão desapareceu da mídia, mas o sentido por detrás continua tão vivo quanto em seu auge.

Estamos falando de políticos que parecem ser políticos mas não são, ou será que são pessoas que se dizem ser políticos mas não são? Quem sabe são pessoas que não parecem ser e nem dizem que são, mas na verdade são? Confuso? Parece, mas não é!

É ou parece que é? Ou nem parece e acha que é?

Como a própria Wikipedia menciona em um dos seus milhares de artigos – “Autoengano é o resultado de um processo mental que faz com que um indivíduo, em um momento, aceite como verdadeira uma informação tida como falsa por ele mesmo noutro momento. Exemplo clássico desse processo é o hábito de se adiantar o próprio relógio para não chegar atrasado aos compromissos.” [sic]

Utilizando essa base e fazendo uma metáfora, percebemos que muitos que se apresentam nas campanhas eleitorais como membros do partido, parece “adiantar seus relógios” para dar uma falsa impressão a quem os assiste.

Nesse caso, o adiantar do relógio dos candidatos políticos se trata da imagem que querem passar, mas na realidade não passam por diversos motivos. Não entro na questão de capacidade ou conhecimento sobre o tema que eles defendem e nem na ideologia que acreditam, mas pela maneira como se comunicam e se apresentam diante das câmeras onde seus eleitores os assistem ou até mesmo nos comícios.

A maioria dos políticos, e quando menciono a maioria é assustadoramente 99% dos que se apresentam, possuem uma comunicação fraca, que não passa confiança e muito menos credibilidade para seu eleitor. E os outros 1% que consegue fazer uma boa comunicação são os que se elegem todos os anos. Queira você goste dele ou não, a verdade é que os que chegam lá, são os que convencem melhor.

Podem não ser os melhores políticos, nem terem as melhores propostas, mas são os que convencem melhor. É por esse motivo que são eleitos.

Incoerência com a Mensagem

Nessas pré-campanhas eleitorais onde os membros dos partidos fazem convites para que a população se afilie ao partido, é perceptível a falta de coerência entre palavras, expressão e linguagem corporal por parte dos que estão fazendo os convites.

Algumas pessoas parecem estar sofrendo ao falar, outras não esboçam nem um pouco de emoção, são inexpressivas diante das câmeras, algumas acabam exagerando na simpatia e passam uma imagem completamente diferente do que deseja ou do que o eleitor espera ver. Negligenciar essas questões implica negativamente na hora de conseguir o voto do eleitor.

Mas se é importante e pode ser decisivo, por que é tão displicente nesse ponto? A falta de cuidado está mais nos que não se elegem do que nos que conseguem ser eleitos. Isso pelo fato de que os que convencem seu eleitorado são pessoas que foram treinadas para transmitir a mensagem do jeito certo que o eleitor entenda, e não do jeito que o candidato quer.

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Um bom marketing político não é sobre promessas e discursos extensos, nem sobre falar mal da oposição ou fazer palhaçada diante das câmeras. É sobre imagem, comunicação e influência. Muitos políticos se posicionam de uma forma tão distante da população e acabam as culpando por não terem seu voto.

Basta lembrar das campanhas anteriores e perceber como alguns candidatos acabam ridicularizando, não somente sua imagem como também a do partido e da política nacional, ao fazer graças diante da câmera para chamar atenção do eleitor.

Falta de talento ou falta de treino?

Faça uma pergunta a si mesmo: qual a imagem que quero passar para meu eleitor? Como desejo ser visto?

Há quem acredite que comunicação é um dom, eu a vejo como uma habilidade necessária que pode ser desenvolvida por qualquer pessoa. Entre dom e habilidade fico com a segunda opção. Mas é uma habilidade fundamental para que o dom seja posto em evidência.

Minha observação na prática me mostrou que habilidade de comunicar de forma convincente, pode ser adquirida por qualquer pessoa. Pelo menos é o que vejo com as diversas pessoas que já treinei. Perfis, culturas, conhecimentos, crenças, completamente diferentes umas das outras.

Todos os políticos que já treinei foram eleitos ou reeleitos fazendo o uso da comunicação adequada para cada perfil. Não fiz nenhuma mágica, mesmo parecendo que tivesse feito. O que fiz foi encontrar um tipo de comunicação que se adequasse a cada perfil de maneira que quem o olhasse, percebesse uma grande promessa diante de seus olhos.

O que você perde por não saber se comunicar

Não adianta ter uma boa comunicação, mas não ter conteúdo para ser entregue. Comunicação é apenas o veículo que irá te levar até o ponto final. Entretanto, negligenciar sua comunicação não é algo inteligente de ser feito, já que é ela quem irá transmitir para seu eleitorado o conteúdo da sua mensagem. E caso seu concorrente seja melhor comunicador do que político, é provável que ele seja eleito e você não.

Treinar não é o mesmo que decorar, mas vivenciar o conteúdo fazendo-o tornar-se uma experiência natural. É por esse motivo que a comunicação deve ser treinada constantemente, até que ela se torne parte verdadeira de você.

Procure lembrar de uma figura pública que você admira. Uma figura que tenha conhecimento e que você saiba falar sobre ela. O que te faz admirar nessa pessoa é a maneira como ela se comunica. Talvez você nem concorde com seus posicionamentos, mas consegue parar para ouvi-la. A mensagem parece fluir dentro do seu ouvido e alocar dentro da sua mente. Você não concorda com a pessoa, mas compreende seus argumentos.

Agora tente imaginar uma pessoa que sabe tudo sobre o tema, você concorda com ela, mas os argumentos utilizados por essa pessoa não conseguem despertar em você desejo de aprofundar no tema. Mesmo tendo ideias semelhantes às suas e o conteúdo ser do seu interesse, ainda assim ela não consegue despertar em você uma audiência fiel.

“O que torna um mais interessante que o outro não é apenas o conhecimento que ele tem pelo conteúdo, mas a maneira como ele comunica esse conhecimento.”

O fato de não saber se comunicar pode estar lhe custando muito caro. A “competição” eleitoral acontece apenas a cada dois anos, mas a preparação que a antecede tem intervalos de outros dois anos. Nesse meio tempo é imprescindível se preparar para ser eleito ou então terá apenas gasto o dinheiro e seu tempo ao invés de tê-lo investido adequadamente.

Como saber se minha comunicação é péssima?

Certa vez fui chamado as pressas para uma missão quase impossível, para atender um político. Viajei a noite toda para que fizéssemos uma reunião e pudéssemos entender o quadro atual.

Eles me disseram que tinham as melhores propostas, que estavam em uma base muito boa, tinham bons relacionamentos, mas não sabiam o que acontecia que o povo parecia desinteressado. Mesmo já sabendo a resposta, fiz uma única pergunta: Você se convence do que você diz ou ouve?

Ele me respondeu de maneira bem enérgica: CLARO QUE SIM! Mas quem estava ao lado dele não demonstrou a mesma convicção que ele.

Meio confuso sem entender a falta de reação positiva, mesmo que ninguém tenha dito nada, apenas olhando o rosto da equipe, ele mesmo constatou que tinha algo de errado.

Pedi para que o pessoal da equipe escrevesse de forma anônima em papeis o que cada um percebia de errado, e o motivo de não votarem nele:

  • Falta de clareza na mensagem,
  • Não transmitia paixão quando falava,
  • Imagem incompatível com o seu eleitorado;
  • Vocabulários prolixos e confusos;
  • Justificativas demasiadamente, o que dava a entender que estava enrolando;
  • Falar do concorrente ao mostrar suas soluções.

Essas foram apenas algumas das que eu li naquela manhã. Mostrei ao candidato e disse: Ninguém vota em você pelas mesmas razões de sua equipe.

Nesse momento lembrei-me de uma palestra onde Alan Mulally, ex CEO da Ford, onde ao sair de uma carreira de sucesso na Boeing, foi para a Ford para tentar ajudá-los a reerguer a empresa que revolucionou o processo de produção de automóveis.

Mulally disse que quando chegou à Ford, uma das coisas mais estranhas que ele encontrou no prédio da companhia foi a ausência de veículos da marca sendo utilizadas pelos funcionários. Se os próprios funcionários, os caras que são responsáveis pela fabricação, não utilizam a marca, então é sinal que não é tão boa assim.

“Seja produto do seu produto.”

Certa vez estava em uma palestra e um candidato a cargo público também iria palestrar. Ao subir ao palco para falar, ele disse que não gostava de política e que deu em sua mente para que ele disputasse as eleições.

O primeiro a te “comprar” precisa ser quem trabalha para você, no caso desse político, a equipe era a primeira a ter que comprá-lo. E conseguiu se vender para eles, mas faltou consistência e clareza para que eles pudessem vendê-lo para seus eleitores.

Confira nosso artigo sobre influência

O que a equipe desse candidato mostrou foi apenas o que eles tentavam dizer a ele, mas não aceitava devido estar preso às suas convicções partidárias e ideológicas. Com isso ele acabava se afastando do seu principal objetivo que era ser reeleito.

O que preciso saber para me comunicar bem

Existe uma diferença entre saber e desenvolver. Talvez você saiba muita coisa sobre comunicação influente, persuasão, oratória, mas não desenvolveu essas habilidades. A base da comunicação é uma junção da teoria, planejamento e execução.

Você precisa entender o que irá falar, saber pra quem vai falar e treinar até que faça parte de cada célula de seu organismo. Tenha sempre em mente que quem irá ouvi-lo precisa entender o que você diz, de forma que ele consiga visualizar suas palavras e sonhar com elas.

Ao tentar criar discursos poderosos, lembre-se que o seu eleitor deseja sentir confiança no que você diz. Entregue a ele um sonho possível de ser realizado dentro da realidade na qual ele vive. Faça com que ele mesmo, no meio de uma multidão, sinta que a mensagem foi feita para falar em seu coração e não em sua mente.

Segundo os estudos da neurociência, tendemos a tomar decisões por impulso pelo nosso emocional e só então justificar essa decisão pelo racional. Falar direto para a alma e coração, fará mais sentido para quem te ouve.

Dar esperanças para que o impossível aconteça, só se você for muito bom no que faz e ter uma equipe altamente capacitada para te ajudar, caso contrário, querer criar um grande impacto pode resultar em frustrações e que converterão em grandes perdas para todos os lados.

Um filme que indico fortemente para que você veja e entenda melhor como um especialista em comunicação pode te ajudar no trabalho de conquista é o filme – Especialista em Crise.