Linguagem Corporal

Erros ao detectar mentiras

Anderson Carvalho
Escrito por Anderson Carvalho em 22/09/2020
10 min de leitura
Erros ao detectar mentiras
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Quando o assunto é detectar mentiras, há uma série de erros comuns que você precisa tomar cuidado.

Julgamentos, avaliações equivocadas, enviesadas, carregadas de falsas verdades ou falsas mentiras, fazem parte desse contexto. Principalmente com tanta desinformação sendo veiculada nas redes sociais.

Ainda nos dias de hoje, há quem acredita em lateralidade do cérebro, pistas oculares e gestos que podem revelar quando uma pessoa está mentindo.

Enfim, tem coisas que dão nós na cabeça…

O objetivo desse post é te alertar e, claro, te ajudar a evitar o “Erro de Otelo”.

O preço da ignorância

Iago, é um homem extremamente inteligente, persuasivo e articulador.  

Mas também é invejoso, mentiroso e faz das suas qualidades, coisas negativas.

Iago, sabe que Cássio, jovem tenente, bonito e muito desejado, pode ser capaz de despertar desconfianças quando conectado a uma jovem e adorada donzela.

Gerando discórdia e provocando uma confusão, Otelo destitui Cássio de sua função. 

Iago, provocador de tal situação, convence Cássio a pedir a Desdêmona que rogue a seu marido, a retomada do cargo como tenente.

Cássio fala com Desdêmona e ela com Otelo. 

A armação está pronta! 

Falta apenas Iago dizer – e provar – a relação amorosa [inexistente] entre Cássio e Desdêmona.

Otelo não acredita. Mas é o lenço de linho – dado por ele à sua amada Desdêmona, que é encontrado nos aposentos de Cássio – comprovando a “traição”.

Isso é reforçado por uma última conversa sórdida e sexualmente explícita entre Iago e Cássio, observada por Otelo, a quem Iago faz pensar ser Desdêmona – quando em verdade é sobre a prostituta Bianca. 

Está definitivamente comprovada a traição!

Raiva. Desespero. Assassinato.

Otelo asfixia Desdêmona e, em seguida à comprovação de toda a trama perpetrada por Iago, apunhala-se. Morre Desdêmona, morre Otelo.

Apesar de ser uma peça de Teatro escrita pelo inglês William Shakespeare – O Erro de Otelo retrata o engano com a realidade dos dias de hoje.

Decisões carregadas de vieses, influenciam nas tomadas de decisões.

Otelo acusa sua esposa Desdêmona de estar apaixonada por Cássio, Otelo exige que ela confesse, já que vai matá-la por traição.

Desdêmona pede para Otelo chamar Cassio, para atestar sua inocência.

Otelo revela que já matou Cassio.

Desdêmona percebe que será morta, pois não terá como provar sua inocência.

O erro de Otelo não foi a capacidade dele perceber as emoções de Desdêmona, ele sabia que ela estava amedrontada, angustiada e temendo que o pior acontecesse.

Seu erro foi acreditar que as emoções possuem uma única fonte,  interpretar a angústia dela como resultado da notícia da morte do seu suposto amante, o medo como o de uma mulher infiel, pega em sua traição. 

Otelo mata Desdêmona, sem considerar que sua angústia e medo podiam ter fontes diferentes.

As pistas da linguagem corporal

O trecho acima, se chama:  Othello, the Moor of Venice (Otelo, o Mouro de Veneza) uma obra de William Shakespeare escrita por volta do ano 1603. A história gira em torno de quatro personagens: Otelo (um general mouro que serve o reino de Veneza), sua esposa Desdêmona, seu tenente Cássio, e seu sub-oficial Iago. Por causa dos seus temas variados— racismo, amor, ciúme e traição – continua a desempenhar relevante papel para os dias atuais.

Uma das maiores demandas dentro da Linguagem Corporal, é justamente saber se uma pessoa mente ou diz a verdade. Algumas das situações mais comuns dentro dos meus cursos, é a busca pela verdade por uma parte dos cônjuges.

Marido que quer descobrir se a esposa é infiel e vice versa.

Apesar de ser um assunto recorrente, há inclusive a Síndrome de Otelo, que se trata de um distúrbio caracterizado por pensamentos delirantes de ciúmes. O delírio que alimenta o ciúme, pode ser parte de um transtorno crônico ou paranóico, mas também pode indicar um quadro de demência por deterioração do córtex cerebral ou de alcoolismo crônico.

O que não é o assunto aqui abordado, mas é bom que você saiba que existe e, faz ver coisas onde não tem.

A verdade é que os sinais que revelam quando uma pessoa está mentindo, sempre estão diante de você. Bem à sua frente, a um palmo do seu nariz.

Mas também, é verdade que esses mesmos ‘sinais de mentira’, representam alterações corporais ligadas ao estresse, medo, desconforto, provocados por grandes cargas emocionais, inundando o sistema nervoso com hormônios que desencadeiam essas reações, que podem levar as pessoas a criarem julgamentos precipitados.

Na trama de Shakespeare, vemos claramente um erro custando a vida de duas pessoas inocentes.

Na vida real, vemos isso acontecendo frequentemente, principalmente em análises realizadas em canais no YouTube focando em visualização, ao invés do ensino.

O erro de Otelo

O erro de Otelo não foi ver os sinais, mas em não saber interpretá-los corretamente.

Um dos principais pontos que abordo frequentemente nos meus cursos, e acredite, gera muito desconforto para alguns participantes, é o que chamo de viés.

Todos nós temos preferências, inclinações, sejam elas políticas, religiosas ou até mesmo algum tipo de preferência peculiar que reflete apenas a nossa verdade.

Otelo estava completamente enviesado, manipulado. Tomou atitudes com base no seu maior medo.

O medo de ser enganado, leva qualquer pessoa a fazer loucuras, criar pilhas de pensamentos que condizem apenas com seus próprios conflitos internos.

Um mentiroso com medo de ser pego na mentira, irá demonstrar a mesma expressão de uma pessoa inocente que tem medo de ser tachado como mentiroso.

Precauções ao analisar linguagem corporal

Um bom mentiroso é capaz de enganar com facilidade a maioria das pessoas, mesmo aquelas que se acham espertas o suficiente para não serem enganadas. Sim, até aquele que bate o pé e diz que sabe só de olhar nos olhos. Vai vendo…

Alguns dos maiores erros não está em avaliar se uma pessoa está mentindo, mas se ela está realmente falando a verdade. O descrédito em um testemunho, de uma pessoa que está falando a verdade.

Imagine a seguinte cena:

Você já sabe que uma criança com 9 anos de idade já possui elementos cognitivos para mentir com qualidade, eu falei sobre isso em um Workshop Científico e vou deixar o vídeo para você assistir, caso não tenha visto.

Se toda vez que uma criança fizer algo de errado, mentir para seus pais dizendo que não fez, quando ela diz a verdade e seus pais não acreditam nela, possivelmente está inserindo no comportamento daquela criança, um marcador, de que falar a verdade não compensa.

Esse tipo de avaliação deixa cicatrizes internas. As consequências podem refletir em adultos frustrados e desacreditados.

A distinção em acreditar em uma mentira e deixar de acreditar em uma verdade, é fundamental para fazer avaliações com mais assertividade.

Acreditar na mentira

Nenhuma pista transmitida por um dos seis canais de comunicação, conforme é ensinado dentro do próprio M6C – Método 6 Canais, uma metodologia de análise de credibilidade e conduta dissimulativa com base no Scan-R – Six Chanel Analysis Real Time, é infalível, quanto mais o uso de polígrafos que analisam alterações provocadas pelo sistema nervoso.

A ausência do sinal de mentira não quer dizer que a pessoa esteja falando a verdade. Há mentirosos naturais, pessoas que acreditam na própria mentira, psicopatas, dentre tantas outras situações a perder de vista.

A questão é, ter conhecimento acerca do que pode ser reconhecido, facilita muito a reconhecer quando uma pessoa está ou não sendo sincera em suas afirmações.

A presença de um ‘sinal de mentira’ também pode ser enganosa. Causar erro oposto, levar a pessoa a acreditar que esteja correta com o que ela pensa estar. Uma pista emitida por um dos seis canais de comunicação pode ser dada deliberadamente por um mentiroso, para explorar sua presa em potencial.

Um exemplo clássico se faz presente com jogadores de pôquer, que fazem do blefe, ferramentas para fazer com que seu oponente acredite em uma mentira. Levar ao erro é uma das tentativas para obter vantagens ocultas, por uma das partes.

A verdade é que um bom mentiroso possui estratégias e o que faz ele ser bem sucedido é que ele olha além do óbvio.

Quais os principais sinais que revelam que há desconforto emocional?

Como você já sabe, não há um sinal isolado que revele quando uma pessoa está mentindo ou dizendo a verdade, mas clusters (conjuntos), que aliados ao contexto, podem mostrar que a credibilidade no que é dito, é duvidosa.

É importante você saber que há diferenças entre todos os indivíduos e seus comportamentos. Não há um padrão de sequência e muito menos uma ordem em que esses comportamentos ocorrem.

Mas há um padrão na forma como eles são evidenciados. O que chamamos de padrão do mentiroso:

Alterações na linha de base com:

  • Aumento ou diminuição de gestos ilustradores;
  • Aumento ou diminuição da respiração;
  • Alteração no fluxo de piscadas para mais ou para menos;
  • Excesso de toques manipuladores em pontos específicos diante de um estímulo.

Enfim, há vários pontos que devem ser observados para avaliar se algo é credível ou não. E um deles, é justamente compreender que há pelo menos 27 critérios que possuem respaldo científico que devem ser observados.

Você pode aprender a avaliar qualquer um desses 27 critérios distribuídos pelos 6 canais de comunicação, de forma prática, didática e fundamentada.

Para isso, basta ficar de olho nas inscrições no M6C – Método 6 Canais. Abrimos vagas pontuais e são muito concorridas, por isso, fique de olho, caso queira de fato aprender, você será muito bem-vindo ao mais completo curso de linguagem corporal do Brasil.

Olá, Sherlock,

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